Daniela Mercury

“Quero ver o mundo sambar”
Daniela Mercury tem a revolução e a reinvenção no sangue. Descobriu que seu caminho era a música se apresentando, desde os quinze anos, em bares de Salvador. Apaixonada pelo Carnaval da Bahia, enfrentou aos 16 anos a prova de fogo de cantar no trio elétrico numa época em que somente homens puxavam bloco. Desde então, faz da festa barroca das multidões a oportunidade de renovar sua expressão artística. Em suas turnês e apresentações internacionais, tornou-se uma espécie de embaixadora da música e da cultura brasileira. Artista de personalidade magnética, que prima pela criatividade, responsabilidade e engajamento social, excelência e inovação em seus trabalhos, Daniela Mercury passeia confortável pela diversidade musical e ainda tem a seu favor, a alegria e energia contagiantes de quem é baiana. E com orgulho!

Carreira/Discos
Em 1989, Daniela Mercury formou o grupo pop Companhia Clic, onde gravou seus dois primeiros álbuns. As canções: Pega que Oh! e Ilha das Bananas tornaram-se grandes hits no final da década de 80. Nesse trabalho, são percebidas as primeiras influências de sonoridades eletrônicas na obra da artista, uma tendência vanguardista para a época.

Seu primeiro disco solo (1991), lançado pela gravadora independente Eldorado, deu início a um fenômeno que logo mais iria conquistar todo o Brasil. A música Swing da Cor tornou-se o maior sucesso das rádios baianas e mais tarde de todo o Nordeste. Sua interpretação, hoje antológica, do samba-reggae - gênero originado dos blocos afro do carnaval da Bahia, com influência direta dos tambores típicos das cerimônias religiosas do candomblé - provocou ressonâncias no Sudeste e Sul do país.

O primeiro show de Daniela Mercury (1992) em São Paulo, em pleno meio-dia no pátio do Museu de Arte (MASP), atraiu mais de 20 mil pessoas que se espalharam pela avenida interrompendo o trânsito e provocando um grande engarrafamento.

O seu próximo álbum, o “Canto da Cidade” (1992/Sony), surgiu no momento em que o Brasil vivia o encantamento da descoberta de uma nova estrela. Com a música que deu nome ao disco, a artista chegou ao primeiro lugar nas paradas de todo o país, onde permaneceu por vários meses. O álbum bateu todos os recordes de venda, fazendo de Daniela a primeira artista a receber o disco de diamante por um milhão de cópias vendidas. O sucesso desse trabalho é tão impressionante que, tantos anos depois do seu lançamento, ele continua com uma vendagem anual expressiva, já tendo ultrapassado os três milhões de cópias vendidas no Brasil e no exterior.
Especial na Rede Globo, apresentações pela Europa e Estados Unidos, capas de revistas, centenas de entrevistas para todos os meios de comunicação: o Canto da Cidade teria seu sucesso coroado por shows em todo o Brasil com recordes de público, atingindo mais de dois milhões de espectadores em apresentações por todas as capitais.

O álbum seguinte, “Música de Rua” (1994/Sony), provou que a cantora não era um fenômeno passageiro: aumentaram as suas turnês pelo Brasil e pelo exterior. Esse trabalho ratificou sua versatilidade como compositora e arranjadora. Sobre a possibilidade de a língua ser uma barreira para sua música, Daniela responde: “Talvez eu seja a artista brasileira que tem menos dificuldade para expressar o trabalho, internacionalmente. Meu público pode não entender minhas letras quando eu canto, mas certamente percebem a alegria e a energia da música e cantam com ela”.

Dois anos depois, com “Feijão com Arroz” (1996/Sony), Daniela continuou o seu sucesso de público, conquistando definitivamente a crítica que, sob o impacto do seu sucesso popular, reconheceu a consistência musical da artista. Um álbum que passeia pelas mais diversas facetas do samba, homenageando as raízes musicais e étnicas brasileiras, com arranjos que mostram a modernidade pop das variações do nosso ritmo mais tradicional. Esse trabalho é um grande marco na carreira da artista, principalmente para o mercado internacional.

“Com Elétrica” (1998/Sony), ela finalmente lança seu primeiro disco gravado ao vivo, atendendo a um insistente desejo dos seus fãs de ter, em disco, o clima eletrizante dos shows. Nesse trabalho, a artista mistura a guitarra baiana típica dos trios elétricos do Carnaval com a guitarra elétrica do rock. Com um repertório que contém além dos sucessos de todos os seus álbuns solo, a exemplo de Swing da Cor, O Canto da Cidade, Música de Rua, Rapunzel, Nobre Vagabundo, entre outras canções que marcaram o Brasil, a artista gravou músicas que cantava nos shows e que nunca havia registrado em disco, além de cinco novas composições, quatro delas de autoria de Daniela, sozinha ou com parceiros.

“Sol da Liberdade” (2000/BMG) reafirma a paixão de Daniela pelo samba-reggae fazendo do Ilê Pérola Negra uma das suas mais belas interpretações. O novo desafio da artista surpreendeu o público e a crítica, que considerou Sol da Liberdade o seu melhor disco. Ao lado de Suba (grande nome dentro do cenário da música eletrônica), Daniela misturou as batidas dos tambores do samba-reggae com sonoridades da música eletrônica (rap, funk, lounge, house), numa união tão inusitada quanto harmoniosa.

“Sou de Qualquer Lugar” (2001/BMG) traz grandes compositores como Lenine, Gilberto Gil e Carlinhos Brown, além de uma releitura de Mutante, de Rita Lee e uma eletrizante releitura de Praieira, de Chico Science. O samba-reggae eletrônico é a marca forte desse álbum que, desde as fotos do encarte às composições e interpretações das canções do disco, revela o lado mais íntimo e feminino da cantora e compositora Daniela Mercury.

“Eletrodoméstico – MTV Ao Vivo” (2003/BMG) é um registro do show da cantora realizado na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, em Salvador. O CD/DVD é considerado um dos marcos na carreira de Daniela, o show contou com participações como a portuguesa Dulce Pontes, a espanhola Rosário Flores, o rapper italiano Lorenzo Jovanotti, o baiano Carlinhos Brown, além dos grupos Olodum, Ilê Aiyê e Hip Hop Roots. Definitivamente, um show multicultural.

Em “Carnaval Eletrônico” (2004/BMG), Daniela convidou alguns dos DJs e produtores de música eletrônica mais importantes do Brasil, além de Gilberto Gil, Carlinhos Brown e Lenine, para participarem de um disco comemorativo dos cinco anos da criação do seu TrioTechno, o primeiro trio elétrico de música eletrônica que desfila no Carnaval da Bahia. No álbum, a cantora realizou a fusão de várias expressões da música eletrônica como Drum’n Bass, House, Techno, Lounge, Dub com ritmos brasileiros, criando faixas originais. Esse disco foi indicado ao Grammy Latino de melhor álbum pop do ano, Daniela foi indicada como melhor cantora pop/rock do prêmio Tim de Música, e o CD foi escolhido pelos internautas como melhor disco do ano, no site da Revista Isto É, um dos mais importantes semanários do Brasil.

O CD/DVD “Clássica” (2005/Som Livre) é fruto de uma apresentação da cantora na Casa de Espetáculos - Bourbon Street, em SãoPaulo, em 2004. No repertório, grandes sucessos da MPB, bossa nova e jazz. Esse trabalho marca uma nova fase da cantora que opta por sua independência frente às indústrias fonográficas. A partir desse ano (2005), Daniela passa a negociar obra a obra com as gravadoras.

Ainda em 2005, Daniela lançou o CD “Balé Mulato” (EMI). Percussivo, vibrante e contemporâneo, o trabalho mistura samba-reggae, rock, frevo, galope eletrônico e canções românticas. O disco foi produzido por Ramiro Musotto, Alê Siqueira e pela própria cantora. Com esse trabalho, Daniela foi indicada em duas categorias do 4º Prêmio Tim de Música e venceu as duas: Melhor Cantora Regional e Melhor Cantora Voto Popular.

“Baile Barroco” (2006/EMI) é o primeiro DVD ao vivo de Daniela, gravado, exclusivamente, num trio elétrico, durante o carnaval de Salvador de 2005. O repertório é uma homenagem aos 20 anos de axé music e conta com participações de Luis Caldas, Fernanda Porto, Banda Kaleidoscópio e Ramiro Musotto. Um grande momento registrado no DVD e que marcou a história da diversidade do carnaval baiano foi quando Daniela Mercury abriu seu desfile no trio independente com um piano de cauda instalado no seu grande palco. Acompanhada por Ricardo Castro ao piano, Daniela cantou, em pleno carnaval, Aquarela do Brasil - Ary Barroso, Bachianas n.5 - de Villa Lobos, e um trecho da obra de Bach, numa performance que encantou os milhares de foliões presentes no circuito Barra-Ondina e mostrou a inovação e ousadia da cantora. Esse DVD foi indicado ao Grammy Latino, na categoria geral, como Melhor Vídeo Musical Versão Longa.

O CD/DVD “Balé Mulato Ao Vivo” (2006/EMI) é o registro do show gravado ao vivo, em Salvador, no Farol da Barra, em Setembro de 2006. Com direção musical e artística de Daniela Mercury, o show celebra a dança, a negritude, o samba-reggae e a miscigenação que regem o Brasil e, em especial, a música afro-baiana.
Gerado com base no homônimo CD de estúdio editado em fins de 2005, com ótima repercussão entre público e crítica, o conceito musical do show Balé Mulato, em que a cultura popular é a grande inspiração, é traduzido com requinte no visual do palco, nos figurinos e nas coreografias dos bailarinos. O show contou com as participações de Márcio Mello, Banda Didá, Gil e Mariene de Castro.
O CD Balé Mulato Ao Vivo foi premiado com o Grammy Latino 2007, na categoria Melhor álbum de Música Regional ou Raízes Brasileiras.

O CD/DVD “O Canto da Cidade – 15 anos” (2008/Sony/BMG) é uma edição comemorativa para pontuar os 15 anos de história e sucesso de Daniela Mercury no Brasil e no mundo, a partir da canção O Canto da Cidade. O DVD traz o especial da Rede Globo com a gravação do show de Daniela Mercury realizado na Praça da Apoteose, no Rio de Janeiro, em 1992. Já o CD é o original "O Canto da Cidade", todo remasterizado, com qualidade digital.
O CD/DVD "O Canto da Cidade" mostra, desde o início da carreira, o ecletismo musical, a valorização e influência afro na música de Daniela Mercury. Com uma hora de duração, o DVD ainda conta com depoimentos do jornalista e produtor musical Nelson Motta; do diretor geral do especial, Roberto Talma; do produtor do show, Manoel Poladian; e da própria Daniela Mercury, que fala daquele momento especial de sua carreira, além de contar histórias dos bastidores da gravação do especial.  

Parte de um grande projeto homônimo, o CD “Canibália” (2009 / Sony Music) chegou ao mercado brasileiro com cinco capas e cinco diferentes sequências musicais. Produzido por Daniela Mercury, Ramiro Musotto, Alfredo Moura, Mikael Mutti e Gabriel Povoas, o trabalho tem o conceito de antropofagia associado ao seu título. A promessa de experimentar, mastigar e deglutir percorre as quatorze faixas do CD, não importa qual das ordens o ouvinte escolha para comprar. Do afro ao romântico. Do pop a MPB. Do clássico ao inédito.
São cinco discos, cinco trilhas, cinco imagens de Daniela para dar conta de uma síntese da cantora que é conhecida como rainha, mas que no dia a dia, ao invés de reinar, prefere guerrear e inovar.

O CD DVD “Canibália- Ritmos do Brasil” (2011/ Sony Music) é o registro do show Canibália, gravado ao vivo, nas areias de Copacabana, na noite do dia 31 de dezembro de 2010 para um público de mais de 2 milhões de pessoas. O álbum une o país em fusões percussivas. É a união do Rio de Janeiro, representado pela bateria da Escola de Samba Unidos da Tijuca e pelo Grupo Cultural AfroReggae; com o Norte do Brasil, numa exuberante presença do Boi Garantido de Parintins, da Amazônia; e, claro, com a Bahia, que vem com o samba-reggae da Banda Dida.
Lançado na América do Norte em 13/09/2011, Canibália Ritmos do Brasil foi destaque na coluna de música do famoso crítico Jon Pareles, do The New York Times, que considerou o álbum inteligente, vibrante, contemporâneo e plural, assim como a cultura brasileira.
No Brasil, o CD e DVD foram lançados em novembro/2011 e ganhou destaques nos principais jornais e programas de TV do país.

Hoje, Daniela possui mais de 11 milhões de discos vendidos em todo o mundo. É também a única artista brasileira convidada para a gravação do DVD de aniversário de 20 anos do Cirque de Soleil e parte da comemoração dos 25 anos do Festival de Jazz de Montreux. A cantora também foi convidada especial do DVD do espanhol Alejandro Sanz, En Concierto: Gira No Es Lo Mismo 2004, com quem fez um duo em plena Praça Del Toros, em Madri, Espanha. Já cantou com os grandes nomes da música brasileira como Tom Jobim, Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil. Cantou com Paul McCartney em Oslo, na entrega do Prêmio Nobel da Paz, e também com Ray Charles.

A vitalidade artística da obra de Daniela Mercury pode ser comprovada pelo fato de todos os álbuns da cantora ter apresentado hits nacionais e por ter tido suas canções compondo trilhas de novelas brasileiras, anualmente.
Carnaval
O Carnaval da Bahia se caracteriza por ser uma festa da coletividade. Ela foi evoluindo da separação entre classes sociais – carnaval de rua e de clubes – para o momento de celebração de uma espécie de utopia de igualdade. É no carnaval que uma certa idéia de paraíso – tão cara ao primeiro momento da descoberta do Brasil, pelos portugueses – se torna concreta, a partir da construção social. É então que um povo que carrega um sangue misturado das três raças fundadoras da sua identidade mostra a melhor síntese possível dessa mistura. Porque nessa festa, todos os tons de pele e todas as proporções de mistura querem significar a grandeza desse encontro múltiplo.

O carnaval da Bahia, com dois milhões de pessoas que participam de uma programação de música e dança de praticamente uma semana, com uma duração diária de mais de 16 horas, é a expressão de uma cultura popular que adquire no tempo características de fenômeno mercadológico de grandeza inequívoca para a economia de Salvador e do estado da Bahia.

Em 1950, Dodô e Osmar criaram a “fobica” - um carro aberto, adaptado para a apresentação dos músicos. Está inventado o trio elétrico que será um marco na multiplicação do potencial de participação do público no carnaval.

Aos poucos, o som do trio elétrico vai se tornando a atração principal do carnaval da Bahia. Em 1969, a gravação de Caetano Veloso, da música de sua autoria, Atrás do Trio Elétrico, consagra definitivamente a antiga fobica (a essa altura transformada em caminhões que serviam de palco para grupos musicais maiores) como a marca mais forte do carnaval baiano.

Paralelamente, o carnaval dos blocos vai evoluindo em várias propostas estéticas e musicais diferenciadas, onde os afoxés mantinham suas raízes africanas com a puxada do ijexá, os blocos de classe média - que começam a crescer e se multiplicar - utilizam músicas de carnaval - a maioria do carnaval carioca-brasileiro, até que surgem os blocos-afro - numa evolução da proposta estética dos blocos de índio. Eles introduzem no carnaval algumas inovações fundamentais: desfile com temas e músicas compostas especialmente para a ocasião. Nesse período, o carnaval de rua começa a adquirir mais glamour e o elitismo do carnaval de clubes inicia certa retração.

Em pouco tempo, a organização cada vez melhor do desfile associada ao surgimento de novos cantores baianos, trazendo para o sucesso nas rádios e TV ritmos originalmente baianos, com o sucesso de Luiz Caldas, Sara Jane e do Chiclete com Banana, somando-se ainda à evolução do Ilê-Ayê e o surgimento do Olodum com presença contagiante na festa, vão transformar o carnaval de Salvador, em pouco tempo, no maior, mais longo, e mais itinerante show ao ar livre do mundo. A classe média e até as elites finalmente entregam os pontos: no final dos anos 80, os bailes de carnaval entram num processo de irreversível decadência e o carnaval de rua passa a ser a identidade coletiva do carnaval da Bahia.
No início dos anos noventa, o carnaval da Bahia já se consolidou como uma fábrica de talentos e artistas como os precursores Luis Caldas, a banda Chiclete com Banana, o Ilê-Ayê, Margareth Menezes e finalmente o Olodum levam o sucesso do carnaval para o mercado do disco e começam lentamente a abrir brechas no mercado nordestino e depois nacional da música.

Mas é no período 92/93 que o carnaval da Bahia vai se tornar responsável pelo maior sucesso no mercado da música brasileira: Daniela Mercury alcança o primeiro lugar nas rádios de todo o Brasil com o samba-reggae O Canto da Cidade, o seu show bate recordes de público do Oiapoque ao Chuí e a artista torna-se a primeira da nova música baiana a ter um especial sobre a sua música e carreira exibido numa emissora nacional, a Rede Globo. O sucesso espetacular de Daniela rompe de maneira radical com os preconceitos e barreiras que os grandes centros haviam imposto à música baiana de origem ligada ao nosso carnaval.

E é o seu grande sucesso no Brasil que vai transformar Daniela na principal artista do carnaval baiano.

Hoje Daniela é a atração do bloco Crocodilo, estrelando absoluta no circuito Barra-Ondina, criado como alternativa para ampliar a área do carnaval que já se encontrava superlotado no centro da cidade. Desde que Daniela passou a desfilar, em 1996, na Avenida à beira mar e criou o seu camarote na avenida do desfile, esse circuito passou a ser oficial no carnaval da Bahia e hoje atrai centenas de milhares de foliões, da mesma forma que o circuito antigo da Avenida Sete.

O sucesso dos seus discos e shows pelo Brasil tem sempre como momento especial de celebração o Carnaval da Bahia. Durante vários anos Daniela foi premiada como a melhor cantora do carnaval, alguns dos seus sucessos também foram premiados como melhor música ou recordista de execuções no Carnaval, cantadas por outros artistas e blocos.

Independência artística
A necessidade de expressar suas idéias, opiniões, sentimentos e musicalidade fizeram com que Daniela se revelasse como compositora. Sozinha ou em parceria, a artista é autora de canções em todos os seus discos, sendo que algumas destas faixas tornaram-se grandes sucessos. Daniela também é responsável pelos arranjos da grande maioria das músicas presentes em seus discos e shows, elaborando-os sozinha ou em processo de criação coletiva ao lado dos músicos de sua banda e/ou produtores de seus álbuns. Essa participação nos arranjos faz com que ela defenda cada obra com a alegria de uma cantora coerente com a sua identidade artística.

Daniela também assina a direção artística dos shows onde aproveita para colocar em prática um estilo original, que mistura sua formação em balé e dança moderna com a sua vivência nas danças de rua, de expressão afro, típicas de Salvador.

E preocupada com a integridade de sua arte, investiu na autonomia e independência de sua carreira, condição fundamental para a sua liberdade artística. Para concretizar sua independência, fundou a produtora “O Canto da Cidade” e neste mesmo empenho de autonomia foram criados: um estúdio próprio e a Páginas do Mar - uma editora de música montada por Daniela para lhe garantir o controle sobre sua obra e, assim evitar o mau uso ou a vulgarização de suas músicas. Com isso, Daniela Mercury decide os rumos de sua carreira e se sente livre para assumir opções ousadas ou comercialmente arriscadas.

Carreira Internacional
A consagração de Daniela Mercury no Brasil com o Canto da Cidade teve forte repercussão em outros países projetando a artista no exterior. Primeiro foi a América Latina, onde a artista alcançou o primeiro lugar nas rádios e começou a se tornar um fenômeno de vendagem de discos. Até hoje é a artista brasileira que mais vendeu discos na Argentina e que atraiu o maior público para um show no Uruguai – mais de 280 mil pessoas numa apresentação ao ar livre.

Ainda com O Canto da Cidade a artista se apresentou no Festival de Acapulco, no México, no Festival de Montreux e em New York. Ela prossegue a sua vocação para uma carreira internacional com o disco e show Música de Rua que a leva a novas turnês pela América Latina, Estados Unidos e vários países da Europa.

Decidida a ampliar ainda mais as fronteiras de sua música, a artista fez sua segunda turnê internacional com o show Feijão com Arroz, aumentando o número de países e multiplicando o público conquistado em relação às turnês anteriores. Mais uma vez um grande sucesso: bateu o recorde de público do Festival de Artes Latinas do Lincoln Center, em Nova Iorque, tendo lotação esgotada também nos seus shows em Miami e Boston. Pela primeira vez, a artista incluiu a Espanha e Portugal em sua turnê européia - além dos países que já a conhecia como Alemanha, Suíça, Bélgica e Itália. A imprensa desses países registrou sua passagem com críticas positivas e estimulantes.
O mercado francês era um desafio e a artista decidiu realizar um show em Paris, para mostrar o seu trabalho ao público e à imprensa francesa. O show lotou o teatro La Cigale e repercutiu na imprensa, despertando o interesse da televisão francesa. Entre a apresentação em julho de 97 e a Copa do Mundo na França em junho de 98, Daniela Mercury se tornaria o maior sucesso brasileiro naquele país.


O álbum Feijão com Arroz se transformou em um fenômeno sem precedentes em Portugal: Daniela Mercury tornou-se a artista que mais vendeu discos na história daquele país - entre portugueses e estrangeiros.

No ano 2000, a turnê com seu show Sol da Liberdade consolidou o sucesso de sua carreira no exterior. Nos Estados Unidos, a crítica destaca o disco e show com elogios cada vez mais contundentes e com uma compreensão cada vez mais clara da importância dessa nova sonoridade da música brasileira. Com uma turnê de dois meses, com 24 shows somente na Europa, o seu sucesso vai levá-la até à Turquia, além dos países onde já se apresentara. Na Espanha, já conhecida do público através de shows e discos, ela é agraciada com o prêmio Ondas de Artista Latino Americano, concedido pelos meios de comunicação espanhóis.

Em 2005, Daniela Mercury comemorou uma década de turnê com a maior viagem internacional de sua carreira, levando a música brasileira e a energia contagiante de seu show a 20 cidades da Europa, Estados Unidos e Canadá, em um total de 30 shows. No primeiro semestre, a cantora também esteve presente no Carnaval da Espanha, em que, ao lado de Carlinhos Brown, arrastou 400 mil pessoas na cidade de Barcelona e 250 mil pessoas em Bilbao.

Outro destaque da turnê foi o show que a cantora participou em Paris, no dia 13 de julho, véspera das festividades da Tomada da Bastilha, dentro da programação do Ano do Brasil na França. O espetáculo Viva Brasil, com as participações dos cantores Gilberto Gil, Gal Costa, Jorge Benjor, Seu Jorge, Lenine e o grupo Ilê Ayiê, foi encerrado por Daniela Mercury, que fez a praça da Bastilha tremer.

Das turnês internacionais, Daniela trouxe na bagagem as dezenas de críticas favoráveis a sua passagem pelas cidades. Nos Estados Unidos, por exemplo, a cantora foi elogiada pelos maiores jornais do país, que ressaltaram a força de sua música e energia contagiante dos shows, comparada a Carmem Miranda, como ícone representativo do Brasil.

Daniela Mercury
Daniela Mercuri de Almeida nasceu em Salvador, no estado da Bahia, no dia 28 de julho de 1965 e desde os oito anos de idade estabeleceu um vínculo com a arte, quando começou a freqüentar as aulas de dança, ministradas por Ângela Dantas (“Tia Ângela”), na escola Ana Nery.

Sua vida sempre foi influenciada pela cultura de sua cidade. Com 16 anos iniciou sua carreira de cantora, começando a cantar nos bares de Salvador, e com 18 anos iniciou o curso de licenciatura na Escola de Dança da Universidade Federal da Bahia.

Filha de Liliana Mercuri, assistente social, descendente de italianos e de Antônio Fernando de Abreu Ferreira de Almeida, português que se radicou no Brasil a partir dos 11 anos de idade e que se tornou mecânico industrial, Daniela passou a infância numa casa com jardim e quintal numa rua tranqüila do bairro de Brotas, com seus quatro irmãos: Tom, Cristiana, Vânia e Marcos. A vida de classe média foi levada entre o gosto pelas brincadeiras e pela arte e a responsabilidade nos estudos.

Artista, cidadã e mãe de Gabriel e Giovana, Daniela tem a inquietação como uma de suas principais características, que influenciou e influencia todo seu trabalho, em que é notório o elemento antropofágico.

Daniela é uma cantora que, além dos cuidados com a voz, supervisiona arranjos, pesquisa timbres e valoriza o conceito de cada trabalho. O samba-reggae foi uma escolha e reflete a influência que a cidade do Salvador e sua cultura exercem na vida e carreira de Daniela Mercury. Porém, não há limites para a artista que não se inibe ao mesclar samba-reggae com música eletrônica.

Cidadã pós-moderna, ciente e comprometida com seu papel social, Daniela possui seu próprio Instituto – Instituto Cultura Sol da Liberdade; é Embaixadora do UNICEF e da Fundação Ayrton Senna, além de colaborar com Campanhas de interesse público, principalmente, voltadas para crianças e adolescentes.

Com catorze CDs gravados e seis DVDs, Daniela Mercury é hoje a cantora brasileira com maior respaldo internacional, com 20 anos de carreira e 15 anos de turnês fora do Brasil.

Daniela não economiza nas formas de se comunicar, faz isso através do canto, dos seus discursos sempre pertinentes, da dança, de sua energia inigualável que a mantém em cima de um trio elétrico por quatro dias consecutivos, sete horas diárias e ininterruptas, durante o carnaval de Salvador, que entrou para o Guiness Book como a maior festa de participação popular do mundo.

E assim, ela continua perseguindo seu sonho de ver o mundo sambar.